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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Primeira mulher indicada pela ANAF para o STJD, advogada pernambucana mantém linha dura contra a falta de respeito com os árbitros

FOTO: PEDRO PAULO DE JESUS
Com ela não existe meio termo tampouco a famosa “regra 18” em suas decisões no Superior Tribunal de Justiça Desportiva: ofendeu o árbitro, ela condena. Advogada das mais renomadas do país, Olímpia Falcão há quase dois anos faz parte da 4ª turma do STJD, cadeira ao qual foi indicada pela Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (ANAF) que nunca antes em sua história havia tido uma mulher no órgão que corrige os desatinos do futebol brasileiro.
A advogada pernambucana Olímpia Falcão é a primeira mulher a ser indicada pela ANAF para auditar no STJD
Estudiosa e conhecedora do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, Olímpia não imaginava que o futebol um dia mudaria a sua vida. Fã do esporte que passou enxergar com outros olhos quando teve a oportunidade de conhecê-lo mais de perto, a magistrada sempre que pode costuma assistir jogos na televisão ou pessoalmente nos estádios de Pernambuco.
Além de Olímpia Falcão, outras 3 mulheres fazem parte das demais comissões do Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Embora o órgão seja majoritariamente masculino, ela garante ter sido bem tratada no primeiro dia de atuação. “Eu estava nervosa, afinal de contas era um ambiente que eu não conhecia. Mas meus colegas foram muito cordiais e me trataram muito bem. Aos poucos fui vendo que ali não existe bicho de sete cabeças. É sentar, estudar cada caso e votar de acordo com a sua consciência e os conhecimentos adquiridos”, contou.
Primeira mulher indicada pelos árbitros para compor a galeria de juristas que compõem o tribunal, Olímpia formou-se em direito na Universidade Salgado Oliveira, em Pernambuco. Atuante na área civil desde então, hoje ela divide o seu tempo entre as viagens quinzenais que faz ao Rio de Janeiro, onde fica a sede do STJD, e o trabalho como chefe da Divisão de Regional, órgão da Prefeitura de Recife que fiscaliza a cidade. “Atuo aqui no DIRCON com o mesmo prazer de quando estou no STJD. O futebol ajudou-me na evolução do meu conhecimento sobre o direito. Antes eu não o assistia com a mesma intensidade que agora, mas como é necessário ter embasamento para julgar algumas questões que estão diretamente ligadas aos jogos, eu preciso estar antenada”, revelou.
Linha dura com desvios de conduta e convicta de que as mulheres aos poucos estão furando um bloqueio machista que há anos existe no futebol, a advogada sabe da responsabilidade que lhe foi atribuída para atuar em uma modalidade esportiva que até pouco tempo não abria brechas para que as mulheres pudessem disputá-la, ainda mais julgar ações em um tribunal. “O convite me deixou extremante lisonjeada. Sabemos da discriminação que as mulheres ainda sofrem no futebol, mas por outro lado acredito que aos poucos esse tipo de situação vai se esvaindo. Estou lá não por ser mulher, mas por ser preparada para o que me foi confiado”, disse.
Popularmente conhecido no futebol como “juiz”, o árbitro sempre que entra em campo e assinala uma infração que desagrada a torcida, costuma receber uma chuva de xingamentos. Curiosamente, sempre que isso ocorre o principal alvo acaba sendo a “mãe do juiz”. Por esse motivo, quando um atleta, técnico ou dirigente toma essa atitude e a arbitragem detalha na súmula, rotineiramente esses personagens caem justamente na 4ª turma, ambiente onde a advogada atua.
Considerada ‘linha dura’ com os ataques à arbitragem, Olímpia Falcão procura embasar suas decisões de acordo com o Código Brasileiro de Justiça Desportiva
Contrária a esse tipo de postura, Olímpia não só condena, como questiona a postura de quem age dessa maneira. “Me desculpe, mas eu não posso achar normal uma pessoa ofender a mãe de alguém. Sempre que isso ocorre eu condeno, até porque entendo que nós devemos julgar embasados pelo código. Mas não tem jeito. Como é algo “cultural”, sempre sou voto vencido. Mas continuarei mantendo essa postura”, detalhou.
Com planos para continuar atuando no direito esportivo, a advogada sonha em ver ainda mais mulheres assumindo cadeiras em todos os setores do futebol. “Eu sonho com o dia de ver mais colegas ao meu lado atuando em prol do esporte. É um aprendizado único na vida de todos nós. Aos poucos vamos rompendo barreiras, derrubando preconceitos e mostrando que somos capazes. Estou realizada e muito feliz com a oportunidade de crescimento profissional que a arbitragem brasileira me confiou”, finalizou.
Olímpia Falcão além de ser a primeira mulher indicada pela ANAF para o STJD, é também a única representante da história de Pernambuco a conquistar este patamar.
NM com Voz do Apito

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