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sábado, 14 de maio de 2016

Atletismo fecha série de eventos-teste com pista elogiada e índices brasileiros

A comparação com palcos anteriores do atletismo nos Jogos gerava a expectativa: será que o Engenhão, construído para o Pan de 2007 e apenas reformado, seria capaz de fazer jus aos grandes estádios? No evento-teste da modalidade, o último entre os esportes olímpicos, realizado de sábado a segunda-feira no Rio de Janeiro, a venue do Rio 2016 foi aprovada no que diz respeito à estrutura de competição. A pista azul, alvo de brincadeira do presidente da Federação Internacional (IAAF), Sebastian Coe, foi considerada rápida e de qualidade pelos competidores. Mas apenas seis dos mais de 90 brasileiros participantes conquistaram índice olímpico.
engenhão (Foto: AP)Pista do Engenhão é muito elogiada por brasileiros e estrangeiros durante o evento-teste (Foto: AP)
O evento-teste foi realizado durante o Campeonato Ibero-Americano, aberto pela primeira vez também a atletas de outras áreas de atuação da IAAF, e contou com a presença de mais de 400 atletas. Dentre os nomes de maior expressão a nível mundial estavam a brasileira Fabiana Murer, atual vice-campeã mundial do salto com vara, e o vice-campeão olímpico em Londres nos 400m, o dominicano Luguelín Santos.
Se para ambos a competição representava principalmente a oportunidade de testar a pista olímpica, para Kauiza Venâncio (200m), Jailma Sales (400m), Lutimar Paes e Kleberson Davide (400m), Fabiana Moraes e Maila Paula (100m com barreiras) o evento representou a conquista de marcas abaixo do índice mínimo de classificação para os Jogos – os seis precisam estar entre os donos dos três melhores tempos do país nas respectivas provas em 3 de julho para assegurarem vaga no Rio 2016.
- Estou muito feliz por estar em casa diante da minha família, meus técnicos que me iniciaram no atletismo, gente que me viu crescer no Rio de Janeiro e viu minhas lutas. Fiz meu índice em casa, melhorei minha marca. Tive tranquilidade e paciência para fazer o que vim treinando. Eu não aguentava mais perder para essas meninas, mas hoje falei que isso era meu, estava guardado, e eu iria buscar – disse Fabiana, muito emocionada.
atletismo Fabiana Moraes e Maila Paula (Foto: Wagner Carmo / CBAt)Fabiana Moraes e Maila Paula no pódio dos 100m com barreiras (Foto: Wagner Carmo / CBAt)
Na área de competição, o ponto negativo foi o telão provisório instalado na beira da pista. Além de não ser suficiente para mostrar as disputas simultâneas, apresentava erros em informações referentes às melhores dos atletas. O Comitê Rio 2016 explicou que os dados foram fornecidos pela federações nacionais, e as eventuais defasagens seriam de responsabilidade das mesmas. Houve também confusão com a programação, e as listas de entradas com os horários precisaram ser trocadas algumas vezes.
Fora da pista, foi possível observar que ainda há muito trabalho a ser feito no restante do estádio. As arquibancadas temporárias, que deveriam ampliar a capacidade do estádio de 45 mil para 60 mil lugares, ainda não estão finalizadas. Há movimento de operários e material de construção durante todo o dia. Nas arquibancadas permanentes, a área que será destinada às tribunas de imprensa está interditada. 
atletismo luguelin santos (Foto: Helena Rebello)Vice-campeão olímpico, Luguelín vibra com com tecnologia têxtil usada na identificação dos atletas (Foto: Helena Rebello)
- A pista de aquecimento não está totalmente pronta, mas ficará ainda essa semana. Banheiros e vestiários, vão começar a mexer nisso tudo agora, e até o final de junho deve estar tudo prontinho. A Prefeitura ainda vai limpar, tem lugares que vão pintar, arrumar as cadeiras que estiverem quebradas, os assentos temporários... Nós do Rio 2016 vamos acompanhar para que tudo seja entregue – disse o diretor de esportes do Comitê Organizador.
Do ponto de vista dos atletas, houve, de fato, mais elogios do que críticas. Uma novidade que agradou muito aos competidores foi a tecnologia têxtil utilizada para colocar a numeração e os nomes nos uniformes de disputa, mais confortáveis dos que os adesivos habitualmente usados. O teste foi feita pela fornecedora de material esportivo oficial dos Jogos e, se aprovado pela IAAF, será implementados nas Olimpíadas.
O dominicano Luguelín foi um dos que enalteceu a mudança, além de aprovar a disponibilidade dos funcionários e voluntários. Por outro lado, apontou mal cheio nos vestiários – foi o único atleta ouvido pelo GloboEsporte.com a citar o fato.
Nos três dias de competição, a reportagem observou o trabalho ágil do departamento médico do evento, como na remoção de Franciela Krasucki na final dos 200m nesta segunda. Foi notável também a presença frequente de agentes de controle antidoping na saída da área de competição.

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