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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Após três anos, CSE e ASA voltam a fazer o maior clássico do interior alagoano

FOTO: AILTON CRUZ
E nessa quarta-feira (31), às 20h30, os amantes do futebol alagoano vão poder curtir um dos maiores clássicos do estado: CSE x ASA. Após três anos, tricolores e alvinegros estarão frente a frente mais uma vez, em duelo que promete parar a cidade de Palmeira dos Índios, no Agreste alagoano. E apesar da terceira rodada do Estadual ser aberta neste domingo, com três jogos, o clássico do interior ocorrerá somente na quarta, em partida isolada.
Engana-se quem pensa que CSE x ASA é apenas mais um jogo em meio a tantos outros. A primeira vez em que mediram forças, foi no Estádio Coaracy da Mata Fonseca, em Arapiraca, onde os donos da casa acabaram surpreendidos pelos visitantes, pelo placar de 2x0. Desde então, as equipes já se enfrentaram 137 vezes, com o Fantasma arapiraquense saindo em vantagem após vencer 62 partidas, contra apenas 36 do rival palmeirense.
Por falar em rivalidade, o historiador Paulo Lima confirma que ela é antiga. Segundo ele, palmeirenses e arapiraquenses passaram "a não se bicar" a partir do Alagoano de 1953. Na ocasião, o ASA vencia o CSE por 1x0, com gol de Pai Zé, no Estádio Juca Sampaio, em Palmeira, sob uma verdadeira tempestade. Foi quando, aos 37 minutos do segundo tempo, o árbitro resolveu interromper a partida, devido ao temporal, reiniciando o clássico no domingo seguinte. No complemento da partida, o placar não mudou e o Alvinegro saiu vitorioso.
Ainda segundo Paulo, após o duelo, uma confusão generalizada extrapolou as quatro linhas. No outro dia, em tom de provocação, um grupo de palmeirenses - que frequentavam regularmente a tradicional feira de Arapiraca - chegou à cidade com algumas cabeças de boi penduradas em caminhões, enfurecendo os anfitriões. Foi o bastante para fazer explodir a rivalidade entre tricolores e alvinegros.
Última partida entre CSE e ASA, em Palmeira, terminou empatada em 2x2, pelas semifinais do Alagoano 2012
FOTO: CLAUDEMIR ARAÚJO 

























O presidente do CSE, Antônio Umbelino reforça que o fato apimentou a animosidade entre as torcidas. Contudo, garante que o clima por elas criado costuma se restringir às arquibancadas.

- Sem dúvida que esta e tantas outras histórias ajudaram a tornar este jogo diferenciado. Hoje, porém, a situação é diferente. Arapiraca é uma cidade que cresceu bastante e que tem todo o nosso respeito. O mesmo ocorre ao ASA. Todos do CSE receberão o rival da melhor maneira possível. A gozação que surge da rivalidade fica para as torcidas.

À Gazetaweb, o mandatário tricolor também falou a respeito da expectativa em torno da volta do clássico, que adormeceu por dois anos, período no qual CSE e ASA não tiveram oportunidade de se enfrentar pelo Estadual.

- Faz muito tempo que houve o último clássico. Além disso, desde 2012 eles não jogam aqui no Juca Sampaio, o que torna esta partida diferente. Apesar de termos estreado muito bem contra o CEO, ainda falta muita coisa a ser melhorada no nosso time. Porém, vamos encarar o ASA de igual para a igual, já que teremos um jogo sem favorito. Acredito que, neste encontro, a raça é o que fará a diferença.

Por sua vez, o presidente do ASA, Nelson Filho, prefere deixar o clima de rivalidade em segundo plano, voltando as atenções "para mais um triunfo alvinegro". "Claro que se trata de uma grande partida. São duas equipes que, juntas, são responsáveis pelo maior clássico do interior. Entretanto, o ASA precisa entrar em campo pensando somente em conquistar os três pontos para a sequência do campeonato", resumiu o também radialista.
Com Didira, ASA conquistou seu sétimo título Alagoano no ano de 2011
FOTO: TIMESCAMPEOES.COM











Currículos opostos
Diferentemente do ASA, que possui sete títulos estaduais, passagem pela Série B do Campeonato Brasileiro, além de dois expressivos vice-campeonatos (Série C e Copa do Nordeste), o CSE contabiliza, como o maior feito de sua história, duas finais de Campeonato Alagoano, nos anos de 1977 e 1987. Em ambas as oportunidades, o o Tricolor acabou deixando o caneco escapar diante do CRB, com quem fez partidas ainda vivas na memória de muitos palmeirenses.
Elenco do CSE vice-campeão alagoano de 1987
FOTO: ANTONIO FERNANDES
























E pelo fato de, nos últimos anos, o regulamento do Estadual ter ignorado o sistema de pontos corridos, no qual todos os clubes se enfrentam, o clássico do interior foi disputado pela última vez em 2015, quando os times não saíram de um empate sem gols. Já em Palmeira, a última partida aconteceu em 2012, pelas semifinais do Estadual, e o placar também marcou igualdade: 2x2.
Agora, o torcedor tricolor Carlos César, de 40 anos, não esconde a ansiedade em rever seu time diante do Alvinegro, no Juca Sampaio. Ele contou à Gazetaweb que, nos últimos anos, acostumou-se a já conferir na tabela, antes do início do certame, as datas dos jogos contra o maior rival.

- Eu já estou ansioso para este clássico. A cada campeonato, sempre olho na tabela quando será o clássico. Fico contando as horas para o dia chegar. Apesar de Arapiraca não querer valorizar, para mim, este é o jogo mais importante da competição. E eu quero a vitória na quarta-feira.
Igor Castro acredita na vitória do ASA em Palmeira dos Índios
FOTO: REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

























Já o alvinegro Igor Castro, de 31 anos, afirma que a expectativa para o jogo é a melhor possível.

- Tanto o ASA como o CSE venceram em suas estreias no campeonato. Então, apesar de ainda ser cedo para afirmar alguma coisa, a expectativa é a melhor possível. Acho que será um jogo muito disputado, mas espero que o ASA leve a melhor no final. 

Com uma partida a menos, o CSE estreou somente na última quarta, quando venceu o CEO por 1x0, no Estádio Edson Matias, em Olho D'Água das Flores. O Tricolor ocupa a quinta colocação na tabela de classificação. 

A exemplo do rival, o ASA também estreou com vitória no Alagoano, goleando o Dimensão Saúde por 3x0, no Coaracy da Mata Fonseca, em Arapiraca. O Alvinegro também tem um jogo a menos, já que folgou na segunda rodada, e é o terceiro colocado, com três pontos.

Portões fechados

Contudo, apesar de toda a expectativa criada em torno do clássico do interior, o confronto poderá acontecer sem a presença das torcidas. Isso porque a Prefeitura de Palmeira dos Índios, que administra o Estádio Juca Sampaio, ainda não encaminhou à Federação Alagoana de Futebol (FAF) os laudos necessários à liberação da praça esportiva. Com isso, as torcidas somente poderão ocupar as arquibancadas se a documentação for disponibilizada até a próxima terça-feira (30), véspera da partida.

NMcom Gazetaweb

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