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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

CPB não teme a falta de fair play do torcedor, mas quer respeito ao pódio

Os atletas estrangeiros sofreram com a torcida brasileira durante a Olimpíada. Ao enfrentar os atletas do Time Brasil, foram alvos de intensas vaias, inclusive em esportes onde o comportamento não é comparado a uma arquibancada de futebol. A mais famosa ficou por conta da final do salto com vara, onde Thiago Braz confrontou o francês Renaud Lavillenie no Estádio Olímpico. Ao perceber que o competidor da casa poderia conquistar o ouro, o Engenhão vaiou o rival e repetiu a cena no pódio, causando a revolta do oponente. Com a proximidade da Paralimpíada, fica no ar a dúvida de como será a reação das arquibancadas em algumas modalidades. 
Ppresidente da Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Andrew Parsons não sabe dizer como o torcedor irá se comportar. Se terá fair play quando necessário, por exemplo. Mas, se as vaias acontecerem em esportes onde o silêncio é importante, não será problema. Ele só espera que o torcedor não repita o que fez no Engenhão, vaiando Lavillenie inclusive no pódio, quando o francês recebeu a prata e Thiago Braz o ouro. Segundo Parsons, nem o climão criado pelo estrangeiro e as comparações com os "Jogos de Hitler" seriam motivo para isso.
- Eu entendo as vaias. Fui torcedor de arquibancada. A maioria das experiências do brasileiro está ligada ao futebol e a esportes em que você se porta dessa forma. A educação dos brasileiros não me preocupa. Só vamos saber na prática se vai acontecer ou não. Vamos descobrir na prática. É mais um motivo para comprarem ingresso. Vaiar ou censurar quem vaia? Essa dúvida é muito legal. Se você não vaiar, demonstra certo respeito, mas se vaiar, trata o atleta como um competidor de ponta. De um certo ponto de vista, é um reconhecimento. Que não importa a deficiência dele. É o que a gente fica falando, a deficiência não é tão relevante quanto a eficiência. Mostra que estamos em um caminho de ascensão. Aqui não é Roland Garros, mas também não é um Mundial de goalball, que você ouve um alfinete caindo no chão. Agora, gostaria muito que o público brasileiro não vaiasse, principalmente o pódio. Ali é um momento de respeito. É quase sagrado - garante Andrew Parsons.
Arena do Futuro é aprovada em evento-teste de goalball. Brasil fica em primeiro lugar (Foto: Helena Rebello)Goalball requer silêncio absoluto durante as partidas (Foto: Helena Rebello)
Além das vaias, os cânticos nas arquibancadas foram marcantes. A Arena do Futuro, que entrou em ebulição durante o handebol, será agora a casa do goalball. Único esporte exclusivamente paralímpico, ele requer silêncio absoluto. Os atletas competem com vendas nos olhos e a dinâmica é simples. São dois gols "gigantes", um em cada extremo da quadra, e três competidores defendem e também atacam, tentando marcar os gols. A bola tem um guizo e qualquer barulho pode atrapalhar a concentração e o senso de orientação. No Futebol de 5, disputado por cegos, a bola também conta com um sinalizador sonoro e os barulhos das arquibancadas podem atrapalhar.
Para Parsons, será impossível pedir silêncio absoluto. Ele garante que a ideia é tentar educar o público durante a competição, mas também sabe que a Paralimpíada tem uma atmosfera e público diferente, o que impossibilita que a grande maioria haja desta forma.
- Quando o brasileiro lançar a bola e quase for gol, vai vir o uhhhhh. Vai ser um barato. Vai ser muito legal. Claro, vamos tentar educar, mas sabemos que os Jogos precisam de atmosfera. Não dá para ter a Paralimpíada dentro de uma sala cirúrgica. Os atletas do goalball precisam aprender. Podemos até evoluir no esporte criando tecnologias que permitam um pouco mais de barulho. Quem vai para a Paralimpíada quer ter uma experiência gostosa. Quem vai com o filho, vai ouvir ele fazendo uma pergunta. Silêncio absoluto é impossível. No Futebol de 5, em toda a Paralimpíada existe esse público. Em Pequim, os chineses não assistiram como monges budistas. Eles estão acostumados com o barulho. Claro, não vamos ter gritos o tempo todo, mas nas jogadas agudas, teremos barulho. Teremos o pobre coitado ali pedindo silêncio, mas não vai haver - disse Andrew.
DISCURSO DOS HATERS DA INTERNET
O Comitê Paralímpico Brasileiro também não se preocupa com relação ao desconhecimento do público com relação às classes e diferenças entre as modalidades e até mesmo dentro de um mesmo esporte, o que poderia gerar discursos de ódio na internet que partiriam dos conhecidos como "haters". Para isso, Andrew Parsons lembrou a situação do cadeirante João Paulo Nascimento. Ele conduzia a tocha da Rio 2016 na cadeira de rodas e se desequilibrou. Para seguir, usou o apoio da perna e mostrou que tinha condições de caminhar.
Daniel Dias tema chance de figurar no Top 10 (Foto: Clive Rose/Getty Images)Daniel Dias compete com atletas que não tem os dois membros superiores (Foto: Clive Rose/Getty Images)
- Aquele cara não poderia jogar basquete normal. Ele se equilibra, anda, mas não consegue correr. Foi uma polêmica, mas ele precisa jogar sentado em uma cadeira. Os caras do vôlei sentado precisam sentar para jogar, eles ficam em pé, no pedido de tempo eles vão andando para o banco, mas eles não poderiam jogar vôlei normalmente, não poderiam saltar. Por isso jogam o vôlei sentado. É preciso entender. Os haters da internet são a minha menor preocupação. Não há o que se faça. Já acham que o dinheiro no esporte é errado. Não percebem que o dinheiro no esporte pode ajudar na segurança pública e até no INSS. 
O desconhecimento quanto às limitações de cada classe em disputa e comentários maldosos sobre atletas também não é questão de pauta. Daniel Dias, fenômeno da natação paralímpica, compete contra atletas que não tem os dois membro superiores e já foi alvo de discursos de que teria maior facilidade para vencer nesses casos. Parsons diz que os brasileiros vão torcer mesmo é por vitórias.
- Podemos ter uma dúvida inicial. Isso aconteceu em Atenas 2004. Ali, saímos de zero conhecimento para alguma coisa, pois foi a primeira vez que transmitimos os Jogos Paralímpicos. O feedback que tínhamos eram perguntas como porque um atleta competia contra outro que não tem dois braços. Mas a partir do terceiro dia passa. Ele quer que o brasileiro ganhe. Quando ele torce pelo tiro com arco, com todo respeito, ele não sabe o regulamento. Nem sabe como joga. Vai aprendendo durante. O brasileiro tem essa característica - finalizou o dirigente.

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