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sábado, 5 de março de 2016

CBF elogia aprovação do uso de vídeo e espera liberação da Fifa para agosto

O Campeonato Brasileiro de 2016 começa em maio, mas a grande novidade desta edição deve surgir apenas em agosto. Após a decisão da Fifa de liberar o uso do vídeo em lances duvidosos no futebol, a CBF espera a permissão para fazer os testes após as Olimpíadas. O presidente da Comissão Nacional de Arbitragem, Sérgio Corrêa, aguarda o documento da International Board (IFAB) com o cronograma oficial elaborado. No entanto, diz que a CBF já está preparada para a implementação neste ano.   

– Nos reunimos em Londres, pedimos para tentar iniciar os testes em maio, mas entenderam que não seria possível. Pelo que nos foi passado após essa reunião, a IFAB quer fazer uma ampla divulgação, trabalhar com calma, treinar os instrutores e árbitros, explicar para os clubes e torcida. Mas estamos dispostos a acelerar esse processo e tentar para agosto. Pelo que foi divulgado, a intenção da Fifa é fazer os testes somente a partir do ano que vem. Temos que aguardar o documento da Fifa com as orientações – declarou Sérgio.   
Da esquerda para a direita: Manoel Serapião, Lukas Brud, David Elleray e Sérgio Corrêa (Foto: Divulgação/CBF)Da esquerda para a direita: Manoel Serapião, autor do projeto "Árbitro de vídeo", da CBF, Lukas Brud e David Elleray, da International Board, e Sérgio Corrêa, em reunião em Londres no último dia 23 de fevereiro (Foto: Divulgação/CBF)
Segundo Corrêa, o projeto idealizado pela Fifa, chamado de Video Assistant Referees (Árbitro assistente de vídeo, em português), é inspirado no “Árbitro de vídeo”, proposta criada pelo ex-juiz e atual diretor técnico da Escola Nacional de Arbitragem de Futebol, Manoel Serapião Filho. A entidade máxima do futebol apenas acrescentou alguns detalhes e estipulou mais regras. O primeiro pedido da CBF à International Board para o uso de vídeo na arbitragem ocorreu em setembro do ano passado, mas a IFAB vetou. Após o veto, o secretário-geral da instituição, Lukas Brud, disse, em entrevista ao GloboEsporte.com, que levaria o projeto para votação.    
A CBF já levantou custos, fez estudos com empresas de tecnologia de imagens que trabalham em outros esportes e estimou que precisa de um orçamento entre R$ 12 milhões e R$ 15 milhões para implantação da estrutura técnica em todos estádios da Série A, com até oito câmeras específicas exclusivas para o árbitro de vídeo. Entre os próximos dias 15 e 17 de março, a Comissão de Arbitragem, já com o cronograma da Fifa em mãos, reunirá os árbitros e assistentes e dará detalhes sobre seus planos.   
– Já estamos com tudo engatilhado. Se fosse liberado para maio, teríamos que acelerar o processo, mas já estamos preparados. Temos que escolher um grupo de árbitros e grupo de assistentes, ter um treinamento específico e escolher bem quais serão essas pessoas que atuarão como árbitro de vídeo. Temos reunião já agendada de 15 a 17 no Rio para preparar toda essa situação técnica. A própria CBF já procurou várias empresas, fizemos reuniões informais para tratar do assunto da geração de imagens. Vamos fazer em todos os estádios.   
DETALHES DO PROJETO

O recurso do vídeo será permitido somente em quatro ocasiões: para determinar se um gol foi marcado, em casos de expulsão, marcações de pênalti e para identificar um determinado jogador, caso haja suspeita de punição equivocada a um atleta. A tecnologia não servirá para lances de impedimento, a menos que seja uma clara situação de gol. Segundo Corrêa, técnicos, jogadores ou qualquer membro de comissão técnica não poderão requisitar a revisão de um lance. A decisão partirá apenas do árbitro principal.   
Somente o árbitro central pode pedir revisão. Nenhum jogador, nem treinador, ninguém pode pedir o uso de vídeo"
Sérgio Corrêa, presidente da Comissão Nacional de Arbitragem
 – Em campo, ninguém pode fazer indagação ao árbitro. Somente o árbitro central pode pedir revisão. Nenhum jogador, nem treinador, ninguém pode pedir o uso de vídeo. Os assistentes podem recomendar ao árbitro, mas também não podem pedir. Outra coisa que foi bem colocada pela IFAB e pela Fifa é que o assistente técnico e o árbitro de vídeo não poderiam receber o áudio das imagens. O árbitro de vídeo teria, em tese, o mesmo olhar do juiz principal, mas com vantagem do corte – avaliou Sérgio.   
O experimento será feito da seguinte forma: haverá um assistente com acesso aos vídeos e, caso o árbitro o chame em lances duvidosos, ele vai parar para assistir aos replays. Ele terá poder também de chamar o juiz, caso o mesmo não tenha observado alguma determinada infração. Os órgãos responsáveis ainda vão escolher uma universidade para conduzir o experimento. Sérgio Corrêa ressaltou que as imagens usadas para a análise dos lances não serão as mesmas das transmissões dos jogos. Serão retiradas de câmeras próprias da CBF.   
A preocupação da Fifa e das demais entidades que administram o futebol é não alongar ainda mais o tempo das partidas. A CBF ainda estuda como fará a escala e a remuneração dos árbitros de vídeo. Mas prevê menos reclamações.   
– Não temos dúvidas da evolução que o projeto proporcionará ao futebol – opinou Sérgio Corrêa.
COMO É EM OUTROS ESPORTES

O recurso do vídeo já é usado há muito tempo em outros esportes. Na NBA, os árbitros são aconselhados a revisar em vídeo lances duvidosos, sobretudo quando o relógio está zerando. Desde 2006, o tênis recorre ao recurso do vídeo para ajudar a esclarecer dúvidas em lances polêmicos. O sistema é o de desafio. Quando o jogador discorda da marcação do árbitro, ele pode pedir a revisão da jogada no vídeo. O próprio árbitro principal também pode solicitar o auxílio do vídeo quando ficar com dúvida. O vôlei se inspirou no tênis para, a partir de 2012, gradativamente implementar o uso do Hawk-Eye (olho de águia). Cada equipe pode desafiar pelo menos duas vezes por set a decisão da arbitragem. 
A NFL (National Football League, liga de futebol americano) é uma das mais antigas a adotar o uso do vídeo para tirar dúvidas. O primeiro teste foi realizado em um jogo isolado em 1976, quando os organizadores do campeonato começaram a estudar o tempo que a revisão de jogadas poderia levar. O sistema utilizado é o de desafio. Pelas regras atuais, cada time tem direito a dois por jogo, que devem ser feitos pelo técnico, que atira uma toalha vermelha no campo. Em 2012, a Federação Internacional de Judô implementou o uso de vídeos. Em vez de três árbitros no tatame, passou a ter apenas um, com outros dois analisando a luta em um monitor.
NM com Globoesporte.com

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